Vida com qualidade e qualidade de vida
Sep 30th, 2009 | By Gisela Garcia | Category: Curitiba, Paraná, Brasil, Últimos postsEstou há dias pensa
ndo em como escrever sobre qualidade de vida.
Afinal, que coisa é essa, que todo mundo quer tanto ter?
Ter qualidade de vida é simplesmente ter saúde? Praticar esportes? Comer bem? Ser magrinho?
E assim, com essa pulga atrás da orelha, encontrei no Wikipedia: “Qualidade de vida é o método usado para medir as condições da vida de um ser humano. Envolve o bem físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e também a saúde, educação, poder de compra e outras circunstâncias da vida.”
Então é isso. É? Acredito que qualidade de vida vai além. Pra mim, é algo inerente da pessoa. Quem quer ter, vai atrás.
Morei quase toda a minha vida em Vitória, ES, numa casa enorme, que ficava a alguns metros de uma praia ótima para correr e caminhar. O bairro, de classe média, tem ruas amplas, algumas pouco movimentadas, e um comércio próprio que me dava tudo que precisava sem ter que ir muito longe. Na praia, várias redes de vôlei, escolinhas de futebol, quiosques com água de coco a preços módicos. E de noite, ah…que delícia voltar para mais uma caminhada ou pedalada. O clima lá é quente o ano todo e essa programação podia ser cumprida até no inverno, já que o sol não se intimidava e sempre dava as caras.
Com tudo isso, eu não tinha qualidade de vida. Não caminhava, não corria, não tomava água de coco.
Foi só quando vim para Curitiba que comecei a me preocupar de verdade com isso.
Aqui, sem praia e com frio quase que o ano todo, tive que me contentar com os parques. Agora, para ter a minha tão sonhada definição de qualidade de vida, tenho que chutar a preguiça pra longe e levantar cedo, enquanto ainda está frio e escuro, para me exercitar. A alimentação ainda está looonge de ser a ideal e por mais incrível que pareça, piorou desde que abri o restaurante. Como falta tempo para comer e nos horários em que as pessoas normais estão comendo, eu estou trabalhando, acabo beliscando biscoitos, salgadinhos e coisinhas do gênero. Mas eu chego lá.
Para mim, o ideal de qualidade de vida é mais ou menos isso. É exercitar o corpo e a mente.
Porém, se formos em direção do que o Wikipedia considera ser uma boa qualidade de vida, temos que comparar o que cada cidade tem para dar, e de qualquer maneira, acho que dá empate técnico
A capital curitibana foi preparada para oferecer ótima qualidade de vida ao cidadão. O transporte público faz com que você não precise tanto de um carro e, já fiz essa conta, andar de táxi compensa mais que ter um automóvel. Os parques e praças estão espalhados pela cidade, todos com pista de caminhada, alguns com ginásio, quadra poliesportiva, piscina e sala de musculação. Tudo de graça.
Amigos, eu tenho poucos e bons que bastam pra gente não morrer de tédio e solidão.
Acesso a bons cursos. Vida cultural razoavelmente acessível e diversificada.
Mas o clima atrapalha e muito. Não ter o Sol já é meio caminho andado para se sentir meio doente. Por causa do tempo sempre frio e úmido, a saúde do curitibano já é mais frágil. Estamos sempre gripados.
Vitória nasceu linda e feliz. Sol à vontade. Nas praias existem quiosques montados pela prefeitura para atender a população, com aulas de alongamento e ginástica localizada. Sei de academias públicas também. As pessoas , naturalmente bronzeadas, parecem mais felizes mesmo quando estão indo pro trabalho ou na fila do banco.
Mas se mudarmos o ângulo e fugirmos do quesito exercício físico, a coisa começa a desandar.
O sistema de transporte é falho, campanhas de conscientização ambiental ainda são recentes e pouco eficazes.
Mas o povo é uma delícia. A família (a minha, no caso) está lá. A cena cultural ainda é escassa e custa caro ir ao teatro. Mas a sensação de liberdade que dá poder olhar pro horizonte e ver o oceano, ao invés de um mar de prédios faz com que você repense tudo que achou ser realmente importante.
Esse “tal” Wikipedia está certo. Qualidade de vida envolve características diversas além do bem-estar físico.
Então, acho que mesmo Curitiba tendo sido a única cidade brasileira a entrar no século XXI como referência nacional e internacional de planejamento urbano e qualidade de vida numa pesquisa feita pela revista americana Reader’s Digest, e mesmo tendo sido eleita o município brasileiro mais bem colocado no ranking das melhores cidades do mundo para se viver, falta uma única coisinha, básica, que faz toda a diferença: o Sol.
E escrevo isso numa manhã de primavera, com 6 graus lá fora, acredite se quiser.